Antivirais ligados a problemas cardíacos em pacientes com COVID

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SEXTA-FEIRA, 10 de julho de 2020 (HealthDay News) – Pacientes mais velhos e gravemente doentes com COVID-19 que recebem uma combinação de dois medicamentos antirretrovirais comuns podem sofrer uma redução drástica de seus batimentos cardíacos, relatam pesquisadores franceses.

No estudo de 41 pacientes tratados com lopinavir e ritonavir duas vezes ao dia por 10 dias, 22% desenvolveram uma condição de freqüência cardíaca lenta chamada bradicardia. Quando os medicamentos foram interrompidos ou as doses diminuídas, a freqüência cardíaca dos pacientes voltou ao normal, segundo a equipe do Hospital Universitário Amiens, na França.

“Há extensas investigações em andamento para encontrar terapias eficazes no tratamento de pacientes infectados com COVID-19”, disse Gregg Fonarow, professor de cardiologia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que não participou do estudo.

A combinação lopinavir-ritonavir foi considerada um tratamento promissor para o COVID-19 com base em relatórios muito pequenos, ensaios clínicos randomizados e uso off label, disse Fonarow.

Mas estudos anteriores sugeriram que essa combinação também pode levar ao bloqueio cardíaco, um problema com sinais elétricos no coração. “Determinar como esses medicamentos levam à bradicardia exigirá um estudo mais aprofundado”, disse Fonarow.

Os médicos que prescrevem esses medicamentos devem estar cientes do potencial de bradicardia e monitorar cuidadosamente os pacientes, acrescentou.

“Além disso, resultados preliminares de ensaios clínicos sugerem que essa terapia não é eficaz no COVID-19; portanto, o uso nesse cenário provavelmente será muito limitado daqui para frente”, disse Fonarow.

O lopinavir e o ritonavir também foram utilizados para tratar outros vírus, incluindo SARS (síndrome respiratória aguda grave), MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio) e HIV. Os pesquisadores observaram que a bradicardia também foi observada entre pacientes com HIV tratados com os medicamentos.

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Normalmente, o coração dos adultos bate entre 60 e 100 vezes por minuto. Na bradicardia, a taxa cai abaixo de 60 batimentos por minuto, causando diminuição do fluxo sanguíneo que pode levar a desmaios, dor no peito, pressão arterial baixa e insuficiência cardíaca.

Os pacientes do estudo francês que desenvolveram o problema eram mais velhos do que aqueles que não o fizeram, com média de 62 a 80 anos de idade, relataram os pesquisadores.

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O Dr. Marc Siegel, professor de medicina do NYU Langone Medical Center, em Nova York, que revisou as descobertas, observou que a combinação de dois medicamentos não ajudou a hospitalizar pacientes com COVID-19 em outros estudos recentes.



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